Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, aponta que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais teria um custo semelhante aos reajustes históricos do salário mínimo no Brasil.
De acordo com a nota técnica publicada nesta terça-feira, 10 de fevereiro, o resultado indica uma capacidade de absorção da medida pelo mercado de trabalho. Setores que mais empregam, como indústria e comércio, teriam impacto inferior a 1% do custo operacional total, o que indica, segundo a nota, que essas áreas têm capacidade de absorver a mudança sem prejuízos relevantes.
O estudo analisa a atual jornada predominante de 44 horas semanais, associada à escala 6x1, e destaca que a redução da carga horária aumenta o custo da hora trabalhada, mas não implica, de forma automática, queda do PIB ou aumento do desemprego. Segundo o Ipea, as empresas podem reagir de diferentes maneiras, como investir em produtividade, reorganizar turnos ou contratar mais trabalhadores.
Entre os principais benefícios sociais da redução da jornada apontados pelo Instituto está a diminuição das desigualdades no mercado de trabalho formal. Os dados mostram que jornadas mais longas estão concentradas entre trabalhadores de menor renda e menor escolaridade, que recebem salários significativamente mais baixos por hora trabalhada.
Outro ponto destacado é a melhora na qualidade de vida, com mais tempo disponível para descanso, cuidados familiares, educação e saúde.
O Ipea lembra ainda que o Brasil já enfrentou aumentos expressivos no custo do trabalho, como os reajustes reais do salário mínimo, sem impactos negativos sobre o emprego. Para os pesquisadores, a discussão sobre a jornada deve considerar não apenas os efeitos econômicos, mas também os ganhos sociais e o bem-estar da população.
Da Agência Rádio Gov, em Brasília, Lucilly Araújo