Durante participação no Fórum de Alto Nível CELAC - África, realizado em Bogotá, capital da Colômbia, o presidente Lula defendeu a importância da soberania da América Latina e Caribe e da África. Segundo o presidente, os países do grupo não são mais colonizados e precisam se unir no combate à fome e à pobreza.
Ao comentar a atual guerra no Irã, Lula afirmou que o mundo de hoje está vivendo a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial. O presidente destacou o fato de que, segundo ele, foram gastos quase três trilhões de dólares (US$ 2,7 trilhões), em 2025, em armas e em guerras, enquanto há 630 milhões de pessoas passando fome. Para Lula, a guerra que precisa ser feita é para acabar com a fome na África e na América Latina.
No fórum, o presidente também destacou que o momento fortalece debates que acolheram as reparações históricas como prioridade, em linha com o entendimento da União Africana.
O presidente Lula propôs cinco eixos de ação que poderão constar em uma agenda futura entre CELAC e África, sendo a primeira o combate à fome. Ele destacou que a América Latina e o Caribe têm demonstrado que é possível avançar com políticas públicas eficazes. O mandatário brasileiro pontuou momentos importantes entre o país e as nações africanas como o II Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, que estimulou a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada no G20 Brasil, em 2024.
O enfrentamento à mudança do clima e a preservação do meio ambiente foram citados por Lula durante o Fórum. O presidente lembrou que a próxima Conferências das Partes do Clima será na Etiópia. Lula ressaltou que o Brasil e a África têm a responsabilidade de cuidar das duas maiores florestas tropicais do mundo: a Floresta Amazônica e a do Congo.
Outro ponto realçado pelo presidente foi o acesso às terras raras de países do Sul Global. Lula indicou que os minerais críticos podem ser ativos para o desenvolvimento econômico e, por isso, a exploração prioritária precisa ser das nações que os possuem.
O terceiro eixo de ação conjunta proposto pelo presidente foi a transição energética. Para Lula, o enorme potencial dos países do Sul Global para a produção de energia limpa de fontes solar, eólica e hídrica ainda contrasta com o acesso precário à eletricidade em muitas partes dos continentes.
A Inteligência Artificial também foi citada por Lula, que defendeu que a IA pode gerar benefícios para o desenvolvimento da agricultura, saúde, educação e segurança. O presidente aproveitou para reforçar que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial contempla duas linhas de financiamento para cooperação com África e América Latina. São 20 milhões de dólares para financiamento de projetos conjuntos e 10 milhões para o uso de infraestruturas de IA brasileiras.
O último eixo apresentado pelo presidente da República reforçou as trocas comerciais e os fluxos de investimento, com participação direta dos bancos de desenvolvimento dos países.
Da Agência Rádio Gov, em Brasília, Danielle Popov.