Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontrou violações de direitos, jornadas irregulares e riscos à saúde de trabalhadores em unidades da rede Madero na capital mineira.
A ação foi realizada entre março e julho de 2025 pela Superintendência Regional do Trabalho em Minas Gerais, dentro dos projetos de Combate à Informalidade e Combate a Fraudes em Jornada e Salário. Foram inspecionados 12 restaurantes e 5 alojamentos, resultando em 193 autos de infração.
Segundo a inspeção, a empresa recruta principalmente jovens de 18 a 25 anos das regiões Norte e Nordeste, que representam mais de 80% da força de trabalho em Belo Horizonte. Esses trabalhadores vivem em alojamentos coletivos com regras restritivas, sem acesso a vale-transporte e com deslocamentos longos e inseguros até os locais de trabalho.
A jornada é feita em escala 6x1, com intervalos de 3 a 4 horas, mas sem espaços adequados para descanso. Foram identificadas práticas discriminatórias na contratação, critérios subjetivos para bonificações e falhas em saúde e segurança, incluindo ausência de medidas contra assédio sexual. A fiscalização caracterizou a gestão da empresa como assédio moral organizacional.
As irregularidades foram encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Federal, Advocacia-Geral da União, Receita Federal e Previdência Social.
O MTE orienta que denúncias trabalhistas sejam feitas pela plataforma denuncias.sit.trabalho.gov.br. Casos de trabalho análogo ao de escravo podem ser informados pelo Sistema Ipê. O Alô Trabalho, por meio do número 158, também oferece informações sobre direitos trabalhistas.
Da Agência Rádio Gov, em Brasília, Luciano Barroso