O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fez hoje um pronunciamento sobre a decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% contra produtos brasileiros, como resultado da investigação da Seção 301 sobre o Brasil. Na declaração, o chanceler brasileiro destacou que os procedimentos do governo norte-americano são unilaterais a e imposição das novas tarifas é injustificada.
Mauro Vieira pontuou que desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone, com autoridades norte-americanas. Entre elas, reuniões de nível técnico, ministerial e, inclusive, entre os presidentes. De acordo com ele, o Brasil vem demonstrando disposição para negociar desde antes do tarifaço original, que ocorreu inicialmente em 2 de abril do ano passado. O governo brasileiro apresentou também duas defesas por escrito ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos.
Segundo o chanceler, a imposição das taxas desde o ano passado tem motivação política, explicitada na carta publicada pelo presidente norte-americano Donald Trump em julho de 2025. Para Mauro Vieira, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil “não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações”. Entre essas demandas, de acordo com ele, está a abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros.
O ministro de Relações Exteriores do Brasil também ressaltou que são descabidas as alegações de autoridades americanas sobre o PIX e as acusações contra o Brasil a respeito do desmatamento na Amazônia, região onde o desmatamento vem caindo.
Mauro Vieira também classificou de inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiro as declarações feitas pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que acusou o Brasil de não querer negociar de boa-fé e o presidente Lula de colocar o próprio ego a frente de um possível acordo.
Da Agência Radiogov em Brasília, Mariana Jungmann