Depois de ler Graciliano
Ricardo Walter
É artista inconteste,
Esse tal Graciliano,
Prosador solar, agreste,
Qual solo alagoano.
Em Caetés, surge o autor,
Angústia - artesania,
São Bernardo, um primor,
Vidas Secas, quem diria!
Em cada conto esparso,
Do homem seco, franzino,
Via-se, sim, intenso cansaço,
Superação e refino.
Fabiano nasceu assim:
Sem estrela na fronte,
Era o fim antes do fim,
Água, distante da fonte.
Latifúndio, lei antiga,
Do tempo da capitania,
Estrutura, base, viga,
Onde um povo sofreria.
No país dos coronéis,
Trabalhador vira troça,
Desde a época dos réis,
Jamais pôde ter uma roça.
Sem chão, segue como pária,
Vai... à mercê do escarcéu,
De uma falange arbitrária,
Que só aponta - "eis o réu".
Em passo miúdo, lento,
O Brasil ainda erra,
Permanece desatento
Aos filhos da própria terra.
Neste país tão bonito,
Que se agiganta e some
Na mancha azul do infinito,
Como pode haver fome?
Nota do idealizador:
Hoje, encerra-se a primeira temporada do Brasil Cultural. Foram sete meses de jornada, mais de 30 episódios e muitas histórias que celebraram a riqueza da nossa cultura.
Desde a primeira sexta-feira de abril até esta última de outubro, cada programa trouxe um pouco do que somos: nos desafios, nas palavras e nas tradições que formam o Brasil.
O Brasil Cultural nasceu com a proposta de unir jornalismo e literatura, revelando o país em uma essência mais poética e plural, mas sem deixar de lado a apuração das informações.
É hora de agradecer a todos que acompanharam essa caminhada.
Até breve, e que a cultura brasileira siga como o fio que nos conecta.
Ricardo Walter