Primeiro episódio: Dorival Caymmi, o amigo das marés
Dorival Caymmi revela um Brasil criativo, imaginoso, místico e diverso. Nas próximas sextas-feiras, desta e da outra semana, o Brasil Cultural apresenta dois episódios sobre a vida do artista baiano, que, na feliz expressão de Gilberto Gil, foi e é o nosso “Buda Nagô”. O músico conseguiu unir a mansidão dos monges e a alma cantante dos iorubás. Vamos juntos conhecer um pouco mais sobre o autor das “Canções Praieiras”, o homem que cantou a Baía de Todos-os-Santos.
26/09/2025
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Os pescadores saem para o trabalho entre 3 e 4 horas da manhã, quando a brisa terrestre assopra em direção às ondas e impulsiona os barcos. À noite, a areia da praia esfria, enquanto as águas se mantêm aquecidas. Então, o ar quente sobe, evola-se, e o vento frio, mais denso, encontra passagem sobre a superfície marítima.

Provavelmente, a maior parte dos operários do mar não saiba que a massa líquida tem alto calor específico, o que requer maior perda energética para baixar a sua temperatura, elevada ao longo do dia pela irradiação solar. E é bem lógico intuir que esses homens simples também não façam a mínima ideia de que seus barcos percorrem as chamadas zonas de convecção – nome técnico, bonito, para definir o fenômeno citado.

Eles não conhecem os termos específicos, o dialeto da academia. Mas carregam no olhar a ciência de observação. Aprenderam a deduzir, a interpretar os sinais da natureza. Conhecem a direção dos ventos, o movimento das marés, leem nas nuvens o aviso das tempestades e não precisam do calendário para dizer a fase da lua – simplesmente olham para o céu!

Não é cultura apenas o que nasce da erudição. O Brasil tem saberes espalhados no litoral, nas aldeias indígenas, nas áreas urbanas e nos cantões remotos. Gente que inventa soluções, dribla os obstáculos da vida rústica. Pessoas de gênio que cantam, compõem e pintam sem jamais terem frequentado uma escola de artes.

Sim, há uma nação a ser descoberta, vista e ouvida.

Como símbolo dessa mensagem, trazemos a figura de Dorival Caymmi. Nele revela-se, com esplendor, o país criativo, imaginoso, místico e diverso que somos.

Nas próximas sextas-feiras, desta e da outra semana, apresentaremos dois episódios sobre a vida do cancioneiro baiano – que, na feliz expressão de Gilberto Gil, foi e é o nosso “Buda Nagô”.

O músico conseguiu unir – no tipo psicológico, na têmpera – a mansidão dos monges e a alma cantante dos iorubás.

O Brasil é realmente uma poesia multiétnica.

Em que lugar do mundo seria possível o surgimento de tamanha riqueza?

Vamos juntos conhecer um pouco mais sobre o autor das “Canções Praieiras”, o homem que cantou a Baía de Todos-os-Santos.

Para ouvir, é só dar o play!

Ricardo Walter