Por Rafaela Ferreira/COP30 Brasil
Locução: Bárbara Bezerra
Repórter: O programa Florestas Produtivas do Governo brasileiro irá beneficiar mais de 6 mil famílias de assentamentos e de comunidades tradicionais. Coordenada pelos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente, a iniciativa será apresentada na COP30, que será realizada em Belém. O objetivo do programa é ampliar a oferta de alimentos, fortalecer a geração de renda e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
A secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Fernanda Machiaveli, afirma que a proposta do programa é a captura de carbono, valorizar as comunidades que preservam a floresta, além de promover a segurança alimentar e soberania nacional. :
Fernanda Machiaveli: Precisávamos enfrentar a questão da regularização fundiária e, ao mesmo tempo, oferecer uma alternativa que gerasse renda para as famílias na manutenção das florestas. Foi isso que motivou a criação do programa Florestas Produtivas, que promove o restauro e a recuperação de áreas alteradas ou degradadas, mas de forma produtiva, com base nos princípios da agricultura regenerativa.
Repórter: Machiaveli destaca que, durante a COP30, a ideia é levar as delegações dos países para conhecer os projetos, como parte de uma estratégia de disseminação de tecnologias.
Fernanda Machiaveli: No nosso mutirão de ação que estamos propondo, um deles é o das Florestas Produtivas. É uma aliança entre países que têm florestas tropicais para a preservação dessas florestas.
Repórter: O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, destacou a importância de divulgar a ideia de soberania alimentar em um momento em que o Brasil sai do mapa da fome.
O Brasil vai levar pro mundo a defesa da soberania alimentar. Principalmente, nesse momento que o Brasil sai do mapa da fome e que o presidente Lula lança a Aliança Global contra a fome e a pobreza. Então, nós vamos levar para a COP a necessidade de aliança do tema ambiental com o tema da soberania alimentar.
Repórter: O programa, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), tem um papel fundamental na Contribuição Nacionalmente Determinada do Brasil (NDC, na sigla em inglês). Isso porque a NDC brasileira prevê o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (PLANAVEG), em que propõe ampliar e fortalecer políticas públicas para alcançar a recuperação de 12 milhões de hectares até 2030.
Repórter: O Florestas Produtivas oferece assistência técnica para agricultura sustentável, equipamentos coletivos e acesso à linha Pronaf Floresta para as famílias beneficiadas.No programa há também a implantação de viveiros comunitários, isto é, espaços que receberão instalações de bancos de sementes e cultivo de viveiros de mudas para uso das famílias beneficiadas pelo programa. Por fim, as unidades populares de referência tecnológica têm a proposta de ser áreas de cultivo demonstrativas para prática das famílias.
João Carlos Gomes, beneficiário do programa e presidente da associação Resex, conta que o programa já está rendendo frutos, na Reserva Extrativista Marinha Tracuateua, no Nordeste.
João Gomes: Eu já vendi daqui um pouco, mas distribuí para todas as minhas comunidades. Para duas comunidades, eu faço uma minha feira, eu levo para o pessoal, eu dou para o meu vizinho, eu faço esse trabalho de levar de pouco a pouco para o meu vizinho, um pouco para eles saberem o que eu tenho aqui, o que eles podem ter na área deles. Então é importante quando você leva um gerimum, Eu levo um maxixe, um gerimum, uma melancia, levo maracujá, eu levo banana e levo oferecendo para os meus vizinhos. Olha, você pode ter tudo isso na sua casa, no seu alimento, sem comprar. Depende só de você.
Repórter: O Programa já recebeu R$ 150 milhões em investimentos nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão. Serão beneficiados 80 assentamentos em uma área a ser recuperada de 4.600 hectares. Os recursos são do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).