Reportagem: Leandro Molina / COP30
Repórter: O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, divulgou a primeira Carta do Presidente de 2026. A carta reforça duas mensagens centrais: uma de que a transição climática global é irreversível e outra que o multilateralismo precisa evoluir para responder à urgência do aquecimento global. Ele diz que a COP30 mostrou que a ação climática não pode ficar restrita às salas de negociação, e que por iniciativa brasileira e sob orientação do presidente Lula, a COP30 também promoveu um debate inédito e necessário sobre a dependência global dos combustíveis fósseis, que são responsáveis por cerca de 70% das emissões de gases de efeito estufa. O embaixador avalia que, embora o sistema multilateral ainda não estivesse preparado para adotar formalmente o debate, o Brasil assumiu por conta própria a responsabilidade de desenvolver mapas do caminho para a transição dos combustíveis fósseis e para interromper e reverter o desmatamento.
André Corrêa do Lago: Nós vamos preparar várias coisas como presidência brasileira, vamos preparar várias coisas com os australianos e também com os turcos. Esse mapa do caminho nós estamos preparando, estamos trabalhando muito com várias instituições, vários países: o mapa do caminho de Fósseis, o mapa do caminho do fim do desmatamento até 2030. Esse dos fósseis e do desmatamento são decisões que foram tomadas em Dubai, mas que não avançaram tanto e que, portanto, a presidência brasileira decidiu dar um acelerada.
Repórter: A carta destaca ainda que o multilateralismo climático não está em crise, mas em amadurecimento. Para acompanhar o ritmo do aquecimento global, precisa operar em duas velocidades: uma, baseada no consenso entre os países e outra, voltada à implementação acelerada, capaz de mobilizar governos, empresas, finanças e sociedade civil. Para o presidente da COP30, a cooperação internacional continua sendo o único caminho possível para enfrentar a crise climática.
André Corrêa do Lago: E vamos ter mais um mapa do caminho, que é a segunda parte de como chegar a 1,3 trilhão de dólares a partir de 2035 para financiamento de políticas climáticas no mundo em desenvolvimento. Eu acho que o papel do Brasil é de unir não só o próprio país, mas de unir também o mundo, e nós não queremos deixar de manter a discussão de clima no centro de tudo.
Repórter: No balanço final da carta, o presidente André Corrêa do Lago destaca que foram adotadas 56 decisões por consenso e celebrados os dez anos do Acordo de Paris. Mais de 130 países apresentaram novas metas climáticas, as NDCs. A conferência também consolidou avanços em adaptação, financiamento, inclusão de povos indígenas e justiça climática, além de lançar o Acelerador Global de Implementação. Para ler a íntegra da décima segunda Carta do Presidente, acesse o site cop30.br.