Plano de Ação de Gênero de Belém marca avanço, diz Jovem Campeã do Clima
Em entrevista exclusiva, Marcele Oliveira reitera que o plano exige participação das mulheres na implementação. Segundo ela, planos de ação e o 8 de março reforçam a luta das mulheres por participação nas decisões que afetam toda a sociedade. Ouça e saiba mais.
13/03/2026
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Reportagem: Leandro Molina / COP30

Repórter: A aprovação do Plano de Ação de Gênero durante a COP30, realizada em Belém (PA), representa um marco político para a luta das mulheres na agenda climática. A avaliação é de Marcele Oliveira, Jovem Campeã do Clima da Presidência da COP30, que defende maior participação feminina nas decisões e na implementação das políticas climáticas.

Marcele Oliveira: Tem uma coisa importante sobre esse plano é que ele fala dos dados desagregados, do reconhecimento da diferença do impacto da mudança do clima para as mulheres jovens, as mulheres negras, para as mulheres indígenas. A diferença de gênero, de território e de raça não pode ser desconsiderada na hora da decisão, muito menos a presença das mulheres nas mesas de decisão.

Repórter: Marcele destaca que, embora o plano represente um avanço, sua aplicação dependerá diretamente do compromisso dos governos.

Marcele Oliveira: Para esse plano de ação de gênero ser implementado, ele depende dos governos dos países, por exemplo. E a gente sabe que a maior parte da composição das autoridades dos países, muitas vezes, não tem mulheres. A gente sabe também que as mulheres jovens estão à margem dessa sociedade, olhando decisões que são tomadas sem elas poderem participar e decisões que impactam diretamente o nosso futuro. 

Repórter: Marcele Oliveira relaciona a agenda climática ao conceito de “bem viver”, frequentemente debatido por movimentos de mulheres negras e indígenas, que defendem uma relação mais equilibrada entre sociedade e natureza.

Marcele Oliveira: A gente fala sobre esse bem viver como algo que não pode ser  utopia, sabe? Tem que ser a realidade. Então a aprovação do Plano de Ação de Gênero é o que a gente celebra, mas a implementação desse plano por cada um dos países depende da nossa articulação. 

Repórter: Na avaliação da Jovem Campeã do Clima, o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, também deve ser entendido como um momento de mobilização política e não apenas de celebração simbólica.

Marcele Oliveira: O 8 de março não é o dia de dar flores, ele é um dia de valorizar a luta das mulheres trabalhadoras que colocaram a importância da valorização do seu trabalho, do direito ao voto e da igualdade, da equidade dentro da nossa sociedade.

Repórter: Marcele ressaltou ainda que as mulheres historicamente desempenham um papel central no cuidado, tanto com as pessoas quanto com o planeta, mas que esse trabalho permanece invisibilizado.

Marcele Oliveira: Quando a gente fala que o impacto é desproporcional é também porque a capacidade de se reconstruir é condizente com a capacidade econômica, com onde você mora, com o quanto de suporte você vai receber. E quando você está sempre cuidando, como que esse suporte e esse cuidado vai chegar para você.

Repórter: Para a Jovem Campeã do Clima, garantir justiça climática passa necessariamente por ampliar a participação feminina nas decisões e reconhecer as desigualdades estruturais.

Marcele Oliveira: Historicamente nós fomos apagadas da construção de decisão e hoje em dia essas decisões que foram tomadas sem nós têm impacto para todo mundo, ou seja, é melhor passarem a nos considerar. 

Repórter: Marcele Oliveira conclui que a mobilização das mulheres continuará sendo essencial para transformar compromissos políticos em ações concretas, não só no 8 de março, mas em todos os dias do ano.