Brasil lança Plano de Ação em Saúde e coloca SUS na adaptação climática
Primeiro documento internacional dedicado à adaptação do setor de saúde é apresentado em Belém, destacando a vulnerabilidade climática do Brasil e o SUS como referência mundial em respostas que salvam vidas.
13/11/2025
|
17:00
compartilhar notícia
Ouça na íntegra:
Download
transcrição

Por Inez Mustafa | COP30

Repórter: No coração da Amazônia, a COP30 coloca a saúde no centro das soluções climáticas. Hoje, foi lançado o Plano de Ação em Saúde de Belém, o primeiro documento internacional voltado à adaptação do setor de saúde à mudança do clima. Um plano que nasce com a marca brasileira de quem faz política pública com ciência, com participação social e com o compromisso de proteger vidas diante de um clima que já mudou. 

A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, coloca o SUS como referência, pois não é apenas um equipamento nacional, senão uma referência prática para políticas de adaptação que salvam vidas.

Ana Toni: Todo mundo sabe que o Brasil é um dos países muito vulneráveis à mudança do clima. Os impactos da mudança do clima já estão conosco, principalmente na área da saúde, por exemplo, com dengue e muitos outros problemas de saúde que a gente vem tendo aqui no Brasil e de novo o nosso SUS reagindo a isso e liderando. 

Repórter: O plano nasce da experiência brasileira do Sistema Único de Saúde e propõe ações concretas para proteger quem mais sofre com a crise climática. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a COP30 deve ser na prática uma conferência da implementação, que a adaptação já é uma urgência de saúde pública. 

Alexandre Padilha: Porque, hoje, em linha com a determinação do governo do presidente Lula da Silva, de que a COP30 seja a COP da verdade da implementação, é com imensa satisfação, mas também com senso de responsabilidade, que o Brasil lança o Plano de Ação em Saúde de Belém, para a adaptação do setor à saúde e à mudança do clima. Construído coletivamente.

Repórter: Padilha lembra, a construção foi coletiva, com governos, pesquisadores e sociedade civil. E agora é a hora de transformar compromisso em ação.  

Alexandre Padilha: Resumindo, não se adaptar é seifar vidas. O desafio que apresentamos nessa COP30 é enfrentarmos juntos, em um verdadeiro mutirão, os desafios entrelaçados entre clima e saúde. Precisamos de uma estratégia de adaptação coordenada.

Repórter: Mutirão é a palavra que sintetiza a proposta mobilização intersetorial, federal, estadual e municipal. Políticas públicas atuando juntas para reduzir riscos e salvar vidas. O Plano de Belém organiza-se em três eixos: vigilância e monitoramento político, capacitação baseadas em evidências, inovação e saúde digital, tudo orientado pelos princípios da equidade e da justiça climática

Da Amazônia para o mundo, o plano de ação em saúde de Belém lança o chamado. Políticas públicas robustas, cooperação internacional e financiamentos são urgentes para tornar a adaptação realidade e para que a saúde continue salvando vidas diante do clima que já mudou.